Manual do Fogo
Do primeiro pedido até uma coleção guardada em git. Se leres só uma secção, lê a das variáveis — é a parte que muda a forma de trabalhar, e a que mais confunde quem vem do Postman.
O primeiro pedido
Abre o Fogo e carrega em New Request, em cima à direita. Escreve um endereço na barra e carrega Enter.
Se tiveres um comando curl à mão — copiado da documentação
de uma API ou das ferramentas do navegador — cola-o na barra de
endereço. O Fogo reconhece-o e preenche o método, os cabeçalhos,
o corpo e a autorização de uma vez. É a forma mais rápida de começar.
Experimenta agora
Cola isto na barra de endereço e carrega Enter:
curl -X POST https://httpbin.org/post \
-H "Content-Type: application/json" \
-d '{"nome":"teste"}'
Fica um pedido POST completo, com o cabeçalho e o corpo já
preenchidos. O httpbin.org devolve o que recebeu, o que o
torna útil para perceber exatamente o que foi enviado.
A resposta aparece por baixo, com o estado, o tempo e o tamanho. JSON vem formatado e colorido; imagens e PDF aparecem visíveis, sem ter de gravar nada.
Variáveis e camadas
Uma variável escreve-se {{assim}} e serve para não repetir
o mesmo endereço ou o mesmo token em cada pedido. Escreve-se na barra de
endereço, nos cabeçalhos, no corpo — em qualquer campo.
Clica numa variável e abre uma caixa para lhe dar valor. É o caminho mais rápido: não precisas de ir a lado nenhum primeiro.
As quatro camadas
Aqui está a parte que interessa. Um valor pode viver em quatro sítios, e o de baixo nesta lista ganha:
| Camada | Quando se aplica |
|---|---|
| Globals | Sempre, em tudo. Não se seleciona — está sempre ligada. |
| Coleção | Nos pedidos dessa coleção, haja ou não ambiente escolhido. |
| Ambiente | No ambiente que estiver selecionado em cima. |
| Capturado | Valores tirados de uma resposta. Duram até fechares o Fogo. |
Duas APIs, um só ambiente
O problema clássico: tens duas coleções, cada uma com o seu servidor, e no Postman andavas sempre a trocar de ambiente. Aqui não precisas.
Coleção A baseUrl = https://a.dev ← na coleção Coleção B baseUrl = https://b.dev ← na coleção Ambiente Dev token = ... ← partilhado Abres um pedido de A → usa a.dev Abres um pedido de B → usa b.dev Sem trocar nada.
O baseUrl pertence à coleção, não a uma coisa que andas a
trocar. O token, esse sim, muda conforme o ambiente — e é
por isso que fica no ambiente.
Onde escrever cada uma
- Na coleção: clica com o botão direito na coleção → Variables…
- Nas globals: painel dos ambientes, a linha Globals por cima da lista
- Num ambiente: painel dos ambientes, o lápis na linha
Também podes fazer tudo a partir da caixa que abre ao clicar na variável: o campo Save in deixa escolher a camada.
Segredos
Marca uma variável como Secret e o valor passa a viver no gestor de credenciais do Windows, não na base de dados do Fogo. Fica mascarado no ecrã e é retirado do histórico, dos registos, das exportações e do código gerado. Uma variável marcada assim nunca chega a um ficheiro que possas commitar por engano.
Autorização
No separador Authorization de cada pedido. Os tipos disponíveis são No Auth, Basic Auth, Bearer Token, API Key, Digest Auth e OAuth 2.0.
Escrever uma vez para toda a coleção
É quase sempre o que queres. Botão direito na coleção → Collection settings… → separador Authorization. Depois, cada pedido fica em Inherit from collection — que já é o que vem por omissão — e usa o que puseste ali.
Assim o token está num sítio só. Mudou? Mudas uma vez, e não em quarenta pedidos.
OAuth 2.0
O Fogo trata dos fluxos que não precisam de navegador: client credentials e password. Pede o token sozinho, guarda-o em memória enquanto for válido e renova-o quando expira. O token nunca é escrito em disco.
O fluxo authorization code com PKCE ainda não existe, e por isso não aparece na lista. Preferimos não o oferecer a oferecê-lo sem funcionar.
O corpo do pedido
No separador Body: None, JSON, GraphQL, Text, Form Data e x-www-form-urlencoded.
O editor de JSON avisa quando falta uma chaveta ou uma vírgula — e
entende {{variáveis}} pelo meio, sem as tratar como erro.
Com Form Data podes anexar ficheiros.
Em GraphQL escreves a consulta e as variáveis em campos separados, e o Fogo monta o pedido como o servidor espera.
Trazer do Postman
Botão Import. Aceita coleções e ambientes do Postman, OpenAPI 3, Swagger 2 e comandos cURL — e reconhece o formato sozinho, sem teres de dizer qual é.
Podes arrastar o ficheiro, colar o conteúdo, ou largar o
.zip que o Postman produz no Export Data.
As variáveis da coleção ficam na coleção, que é onde o Postman também as põe. Uma coleção importada funciona logo, sem teres de escolher um ambiente primeiro.
Antes de gravar, o Fogo mostra o que vai criar e avisa se algum
{{...}} ficou por definir. Uma importação nunca altera nem
apaga o que já lá está — só acrescenta.
Capturar valores de uma resposta
O caso do costume: fazes login, recebes um token, e queres usá-lo nos pedidos seguintes sem o copiar à mão.
No separador Extract do pedido de login, dizes de onde
vem o valor e com que nome fica guardado. A partir daí,
{{token}} resolve em qualquer pedido.
Login que alimenta o resto
Resposta do login { "access_token": "eyJhbGciOi..." }
Extract caminho access_token
nome token
guardar This session only
Pedidos seguintes Authorization: Bearer {{token}}
Com This session only, o valor desaparece quando fechares o Fogo e nunca toca no disco. Se quiseres que dure, escolhe um ambiente em vez disso.
Correr uma coleção
Botão direito numa coleção ou pasta → Run. Os pedidos correm por ordem e vês cada resultado à medida que chega.
Verificações
No separador Tests de cada pedido escreves o que tem de ser verdade: o estado esperado, um campo do corpo, um cabeçalho. Numa corrida, isso vira uma lista de passou ou falhou.
Uma corrida por linha de um ficheiro
Escolhe Run with data… e aponta para um CSV ou um JSON. Cada linha é uma passagem, e as colunas ficam disponíveis como variáveis. É a forma de testar quarenta casos sem criar quarenta pedidos.
Um CSV de casos
numeroProcesso,estadoEsperado 2026/0184,200 2026/9999,404 invalido,400
Três passagens, com {{numeroProcesso}} a mudar em cada
uma. No fim há um relatório que podes guardar.
Guardar em git
As coleções podem viver como ficheiros no disco, num formato JSON que compara bem entre versões. Assim ficam num repositório como o resto do código do projeto.
- Botão direito na coleção → Save to folder
- Botão direito → Folder & Git… → Open Git
- No ecrã do git: vês o que mudou, escreves a mensagem e commitas
O git trabalha sobre a pasta inteira das coleções, não sobre cada coleção à parte. Uma equipa tem um repositório e um clone, e não um por coleção.
Nenhuma credencial vai para os ficheiros. O tipo de
autorização viaja, o valor não. Uma referência como
{{token}} fica — porque uma referência não é um segredo. E
se puseres uma palavra-passe no endereço do repositório, ela é apagada de
todas as mensagens que o Fogo te mostra.
As variáveis da coleção viajam com ela, no fogo.json. Quem
clonar recebe o baseUrl a funcionar; os segredos ficam por
preencher, cada um com os seus.
Proxy e certificados
Nas definições, para quando a rede não é simples:
- Proxy HTTP ou SOCKS5, com uma lista de endereços que não passam por ele
- Certificado de cliente em formato PEM, para APIs que exigem mTLS
- Cookies guardados entre pedidos, como um navegador faria
Os certificados da tua empresa continuam a funcionar: o Fogo valida contra o arquivo de confiança do Windows, não contra uma lista própria.
Teclado
| Atalho | O que faz |
|---|---|
| Ctrl N | Novo pedido |
| Ctrl S | Guardar |
| Ctrl Enter | Enviar (ou F5) |
| Ctrl W | Fechar separador — pergunta se houver alterações |
| Ctrl K | Procurar |
| Ctrl , | Definições |
| Enter | Na barra de endereço, envia |
Onde ficam as coisas
| O quê | Onde |
|---|---|
| Aplicação | %LOCALAPPDATA%\Fogo |
| Base de dados | %LOCALAPPDATA%\com.fogo.api-client |
| Registos | …\com.fogo.api-client\logs\fogo.log |
| Coleções | Documentos\Fogo Collections |
| Segredos | Gestor de Credenciais do Windows |
Os dados estão de propósito fora da pasta onde a aplicação é instalada, para que desinstalar não lhes toque. Ao desinstalar, o Fogo pergunta se queres apagá-los: deixa a caixa por marcar e as coleções sobrevivem.
Nada disto sai da tua máquina. Não há conta, não há sincronização, e os registos nunca contêm tokens nem palavras-passe.